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Quem Arisca Não Petisca - Uma Interpretação Psicanalítica da Anorexia Nervosa
Maria João Sousa e Brito

Editora:
Almedina
Tema:
Psicologia
Ano:
2001
Livro de capa mole

ISBN 9789724014937 | 100 págs.
Peso: 0.240 Kg

Disponibilidade:
Sujeito a confirmação 

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Quem Arisca Não Petisca - Uma Interpretação Psicanalítica da Anorexia Nervosa
R$56.00

SINOPSE

O livro de Maria João Sousa e Brito «Quem arisca, não petisca: - Uma interpretação psicanalítica da anorexia nervosa» traz para o meio científico nacional urna contribuição valiosa para a compreensão dos distúrbios do comportamento alimentar.
A anorexia nervosa (ou anorexia mental) tem sido considerada por muitos investigadores como «doença do século», «da moda», pela facilidade de entrecruzamento entre estereótipos sociais ligados à representação do corpo feminino e o corpo anoréxico como limite desta mesma representação. Tais contribuições, ao insistirem numa fenomenologia do efémero, alienam-se por aí das invariantes psicológicas que fundamentam hoje como ontem e ontem como amanhã as complexas relações entre o feminino e o maternal. Tanto mais que a estas está fadado no devir adolescente o questionamento, a perplexidade e o desencontro. As angústias de natureza psicótica emergentes, sem com isso nos referirmos à psicose stricto sensu, evadem o campo da consciência na fronteira somato-psíquica, catastrofizando muitas vezes o lugar emergente a saber o da sexualidade feminina.
Que as anoréticas não gozam é sabido. Porque é que não gozam é outra coisa. Essa outra coisa, reenviando à idealização, ao perfeccionismo quase delirante, ao narcisismo que raia o narcisismo de morte, ou tão só a uma impossibilidade de pensar, essa outra coisa dizia, abre-se com uma nova luz na obra agora dada pública.
Por isso este livro não contém nenhum segredo de culinária. Ou seja, nele não se descrevem formas de «ajudar» a paciente anoréxica a lidar com a alimentação etc. Não que tais aspectos não sejam significativos. Mas a autora, que tal como nós acredita que a fundamentação significa voltar aos fundamentos da coisa, a eles dedicou reflexão aprofundada.
Balanceado entre a descrição de um modelo teórico, baseado essencialmente na obra de Wilfred Bion e a insuportabilidade da clínica, o livro «Quem arisca, não petisca: — Uma interpretação psicanalítica da anorexia nervosa» constitui por isso um valioso instrumento de trabalho para aqueles que se interessem seriamente em compreender problemática tão complexa.
Recomendo pois vivamente a sua leitura a todos os técnicos de saúde mental com a certeza de que as dúvidas que o livro levanta, farão nascer dúvidas tão criativas como as que permitiram a feitura desta obra.
Carlos Amaral Dias in Prefácio


ÍNDICE


PREFÁCIO
INTRODUÇÃO


CAPÍTULO I - A ENTREVISTA CLÍNICA COMO MÉTODO DA INVESTIGAÇÃO PSICANALÍTICA
1.1 - Função metódica da entrevista clínica
1.2 - A análise como um processo de transferência em Freud
1.3 - Processo analítico como processo de at-one-ment em Bion e Amaral Dias


CAPÍTULO II - ESQUEMA INTERPRETATIVO PSICANALÍTICO DE PARTIDA: ASPECTOS METODOLÓGICOS E REFERÊNCIAS À ANOREXIA
1.1 - A psicanálise de Freud entre o positivismo e a hermenêutica
1.2 - A primeira fase: «Projecto para uma Psicologia Científica» (1885)
1.3 - A segunda fase: «A Interpretação dos Sonhos» (1900) e «Sobre os Sonhos» (1901)
1.4 - A terceira fase: «Artigos sobre metapsicologia» (1914-17)
1.5 - Referências à anorexia
2.1 - A psicanálise de Bion. Análise da supervisão de um caso de anorexia nervosa
2.2 - 1.ª tese: «A memória não faz sentido»
2.3 - 2.ª tese: «O modelo médico encobre mais do que revela»
2.4 - 3.ª tese: «Esperamos que o facto de que o analista pode estar em companhia mental da paciente, possa ajudá-la a crescer e desenvolver»
2.5 - 4.ª tese: «O problema imediato sem dúvida é: o que irá o analista dizer para esta paciente
2.6 - 5.ª tese: «Nós estamos em uma posição singular — se não formos nós, não será ninguém mais
2.7 - 6.ª tese: «No consultório existem três pessoas: o analista que está completamente consciente, e que continua consciente, o paciente e o inconsciente do paciente. Bem, nós podemos tentar dizer a ela alguma coisa, na esperança de que ela possa passar isto para o seu inconsciente»
2.8 - 7.ª tese: «Quando esta paciente vem ao analista ... existem três pessoas lá:... o analista, a pessoa adulta e um bebé muito prematuro e muito precoce»
2.9 - 8.ª tese: «Uma luta está sendo travada entre o que poderíamos chamar de sanidade e insanidade, nascimento e não- nascimento, comer ou morrer de fome, raquitismo e atletismo, ser mentalmente activo ou mentalmente morto
2.10 - 9.ª tese: «Este é o problema da pessoa sábia ou inteligente, que não ousa se tornar livre, e que não ousa, por outro lado, prosseguir encapsulada


CAPÍTULO III - CASOS CLÍNICOS
1. PRIMEIRO CASO: A MATILDE
2. SEGUNDO CASO: A HELENA
3. TERCEIRO CASO: A RITA


CAPÍTULO IV - REFLEXÃO CRÍTICA E CONCLUSÕES SOBRE OS CASOS CLÍNICOS


RECENSÃO
«Quem não arisca não petisca». Uma famosa frase que vem agora lembrar o título do livro de Maria João Sousa e Brito, psicóloga com muitos anos de experiência no campo da anorexia nervosa. Uma interpretação psicanalítica desta doença, que é retratada pela autora de uma forma metódica, através de bases como Freud e Bion. A recusa do próprio corpo é a principal causa desta grave patologia, que fixa os doentes na procura impossível de uma perfeição uma vez sonhada. Com testemunhas reais, este livro, é uma contribuição valiosa para tornar acessível a qualquer leigo, a compreensão de uma perturbação alimentar, infelizmente actual e quase moda na nossa sociedade.
in Correio da Manhã, 19 de Maio de 2001


Apelidada e tratada como a doença da moda, dedicam-lhe programas inteiros de televisão, páginas e páginas de revistas e jornais e a própria moda da moda sofreu as consequências directas de nela se ter visto a grande culpada e sobretudo a grande incentivadora à existência de tal doença, a anorexia nervosa, doença do foro psíquico, desordem alimentar.
Maria João Sousa e Brito é psicóloga clínica e há oito anos que começou a trabalhar nesta área no Hospital de Santa Maria em Lisboa.
Deste trabalho de acompanhamento dos casos clínicos de anorexia nervosa que lhe passaram pelas mãos resultou agora um livro, chama-se «Quem não arisca não petisca» e é uma interpretação psicanalítica da anorexia nervosa.
É um pequeno livro, uma reflexão que se destina sobretudo e talvez antes de mais em técnicos de saúde mental.
Mas é também um livro que ao apresentar a problemática ou o modelo de acompanhamento psicoterapeutico seguido e alguns dos caos clínicos de forma sistemática metódica e extremamente clara pode ser lido por quem de facto se interessa pela doença.
Há no entanto uma ressalva a fazer em relação a este livro: este não é um livro de solução, é um livro de reflexão e assim não há neste livro qualquer intenção de apresentar uma solução ou método infalível a seguir com vista à resolução de casos de anorexia nervosa.
Mafalda Lopes da Costa in TSF, 4 de Junho de 2001


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